Os perigos da lagarta do pinheiro

 In Animais de estimação, Cães

O efeito tóxico do contacto com a lagarta-do-pinheiro é grave e pode conduzir à morte do seu animal. Saiba como protegê-lo e quais os sintomas. Apenas um alerta inicial: quanto mais rapidamente consultar o seu veterinário, maior é a probabilidade de salvar a vida do seu cão.

Também conhecida como processionária, a lagarta-do-pinheiro (Thaumetopoea pityocampa Schiff) é um inseto desfolhador dos pinheiros e cedros em Portugal. O nome deriva do facto de se deslocar em fila, formando longas procissões de lagartas quando passam das árvores para o solo, para se enterrarem e crisalidar (passar de lagarta a borboleta).

Entre Janeiro e Maio, as processionárias abandonam o pinheiro para se enterrarem no solo, na sequência do seu ciclo de desenvolvimento, deixando o seu hospedeiro em fila como uma procissão (daí o seu nome) e, deste modo, dirigem-se ao solo onde continuam o seu desenvolvimento.

Entre Agosto e Setembro nascem as lagartas que se agrupam em ninhos na copa dos pinheiros, de forma a manter o calor e de onde saem à noite, ligadas por um fino fio de seda que utilizam para regressar ao ninho. Estas lagartas possuem 8 recetáculos com cerca de 100.000 pelos urticantes. Ao moverem-se abrem estes recetáculos, libertando milhares destes pelos e aumentando a possibilidade de intoxicação de um animal ou de uma pessoa que entre em contacto com eles. Os pelos agem como agulhas, injetando as substâncias tóxicas na pele ou mucosas.

Perigos

Tal como as crianças, os cães estão no grupo de risco mais afetados destes insetos. No caso dos cães, devido ao facto de cheirarem ou morderem as lagartas, por brincadeira ou movidos por curiosidade natural, sofrem diversas consequências.

Ao entrarem em contacto com os pelos, a reação inflamatória prolonga-se devido à capacidade que os pelos urticantes possuem de permanecer cravados na zona muco-cutânea. A localização, o tipo de contacto e a precocidade do tratamento estão relacionados com o prognóstico e as sequelas. A zona de contacto mais frequente é o focinho, zona onde (de acordo com a zona afetada) se irá desencadear glosite, queilite e/ou estomatite. As lesões iniciam-se sob a forma de erosão e progridem originando úlceras e necrose (morte) dos tecidos. Os pelos urticantes transportados pelo ar podem ter contacto com a zona ocular e nasal, originando blefarite ou úlceras corneais e rinite aguda.

Sintomatologia e diagnóstico

A sintomatologia que se observa após o contacto começa com nervosismo, tendência para tocar na boca com as patas, deglutições repetidas e hipersalivação. Irão surgir vómitos em caso de ingestão. Este processo evolui rapidamente para um angioedema, que pode chegar a impedir o encerramento da boca do animal, além de uma cianose lingual e rânula, o que, em muitos casos, conduz à morte do animal.

Deverá evitar-se que o cão esfregue a zona lesionada, dado que a fricção quebra os pelos cravados, libertando mais toxinas. As lavagens da zona de contacto com água quente são indicadas, dado que o calor desativa a toxina.

O diagnóstico precoce é importante para limitar as sequelas e para salvar a vida do seu animal, por isso, se suspeitar que o seu cão apresenta a sintomatologia indicada, consulte, urgentemente, um veterinário.

Prevenção

A melhor medida de prevenção é evitar o contacto do cão com a lagarta processionária: evitar passeios por zonas de risco (pinhais ou zonas adjacentes aos mesmos, já que podem ser transportadas pelo vento), proceder à eliminação de ninhos nas árvores do nosso domicílio (devem ser queimadas e realizar-se uma desinfestação da praga) e avisar as autoridades competentes no caso de serem avistados. Consulte também os conselhos e recomendações sobre este tema, emitidos pela Direção-Geral de Saúde.

Foto: Fonte Direção-Geral da Saúde

Recent Posts

Leave a Comment

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Calor, pulgas, carraças e mosquitosGatos são sensíveis às emoções dos seus donos