Cães demonstram empatia pelos donos em perigo

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Não serão todos, mas muitos cães demonstram empatia se o seu dono está em perigo e também tentam ajudar a resgatá-lo.

A investigação, publicada na revista científica “Learning & Behavior”, da Springer, teve por base a questão: se existe verdade na noção de que os cães têm uma natureza pró-social e empática.

Interessante notar o facto de que a investigação concluiu que os cães especialmente treinados para “ajuda”, como cães usados em terapia, foram tão propensos a ajudar como os outros cães.

Numa das suas experiências, os investigadores instruíram os donos de 34 cães a “chorarem” angustiadamente ou a cantarolarem enquanto estavam sentados atrás de uma porta fechada, mas transparente. Dezasseis destes cães eram cães de terapia.

Os cientistas observaram como os cães reagiram e também mediram a variabilidade da frequência cardíaca para verem como reagiam fisicamente à situação. Noutra parte da experiência, os investigadores examinaram como esses mesmos cães olhavam para os seus donos para medir a força do seu relacionamento.

Os cães que ouviam as chamadas de socorro não apresentaram mais hipóteses de abrir uma porta do que os restantes que ouviam alguém a cantarolar. No entanto, abriram a porta muito mais rápido se o dono estava a chorar.

Com base nas suas respostas fisiológicas e comportamentais, os cães que abriram a porta estavam, de facto, menos stressados ​​do que durante as medições da linha de base, indicando que, aqueles que poderiam reprimir a sua própria angústia eram aqueles que poderiam entrar em ação.

O estudo, portanto, fornece provas de que os cães não apenas sentem empatia em relação às pessoas, mas, em alguns casos, também agem com base nessa empatia.

Isso acontece, especialmente, quando são capazes de suprimir os seus próprios sentimentos de angústia e podem, por isso, concentrar-se nos seres humanos. Segundo os investigadores, isso é semelhante ao que se observa quando as crianças são colocadas numa situação em que precisam ajudar outros. Elas só são capazes de fazê-lo quando podem suprimir os seus próprios sentimentos de angústia pessoal.

“Parece que adotar o estado emocional do outro, apenas através do contágio emocional, não é suficiente para motivar uma resposta empática de ajuda; caso contrário, os cães mais stressados ​​também poderiam ter aberto a porta”, explica a co-autora do estudo, Julia Meyers-Manor, do Ripon College, nos EUA. “A extensão dessa resposta empática – e sob que condições pode ser extraída – merece mais investigações, especialmente porque pode melhorar a nossa compreensão da história evolutiva partilhada entre humanos e cães.”

Ao contrário da expectativa, os dezasseis cães de terapia que participaram no estudo, tal como os outros cães, responderam da mesma forma. De acordo com Meyers-Manor isso pode dever-se ao facto de os cães de terapia, apesar do que as pessoas possam pensar, não possuírem características que os tornem mais atentos ou responsivos aos estados emocionais humanos. Dado que, explica a investigadora, os testes de certificação de cães de terapia envolvem habilidades baseadas mais em obediência do que na ligação e vínculo estabelecidos com os humanos.

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