Hipertensão no gato: uma doença silenciosa

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Sem dor, sem sintomas. A hipertensão é uma doença altamente silenciosa. A maioria das pessoas não sente absolutamente nada e a doença vai-se desenvolvendo lentamente durante a vida. O organismo vai-se habituando à pressão elevada e não emite alerta. Devido à sua ação discreta culmina num diagnóstico tardio. O mesmo acontece com os gatos.

Há dez anos atrás, um editorial publicado na revista The Lancet, com o título “Hipertensão: descontrolada e conquistadora do mundo”, apresentou alguns factos alarmantes: o risco de se tornar hipertenso ao longo da vida excede 90% para os habitantes dos países desenvolvidos, com mais de 1,5 mil milhões de adultos que se espera tenham hipertensão até 2025. O editorial continua dizendo: “o rastreio não é feito sistematicamente e o diagnóstico acontece frequentemente numa fase tardia quando já aconteceram danos no órgão”.

A Sociedade Internacional de Medicina Felina (ISFM, sigla em inglês), a divisão veterinária da International Cat Care, destaca algumas preocupações amplamente semelhantes nos nossos companheiros felinos. A hipertensão é uma condição bem reconhecida em gatos mais velhos, mas provavelmente permanece significativamente subdiagnosticada. As consequências podem ser graves, com danos que geralmente afetam olhos, coração, cérebro e rins. Alguns danos, como a cegueira, resultante do descolamento completo da retina, são irreversíveis. Outras lesões, no entanto, são mais favoráveis ao tratamento com anti-hipertensivos, destacando a importância do diagnóstico precoce e da medicação. No entanto, isso apresenta desafios, particularmente porque a monitorização, por rotina, da pressão arterial em gatos é pouco frequente. Além disso, os gatos são notoriamente suscetíveis ao stress muito frequente quando visitam as clínicas veterinárias, o que pode dificultar a interpretação dos resultados.

Para orientar os profissionais veterinários no tratamento clínico da hipertensão nos seus pacientes felinos, a sociedade publicou recentemente Diretrizes de Consenso do ISFM sobre o Diagnóstico e Acompanhamento da Hipertensão em Gatos na publicação científica Journal of Feline Medicine and Surgery. As recomendações são as de um painel experiente de clínicos veterinários e académicos reunidos do Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Espanha, França e Estados Unidos e cobrem várias áreas-chave. Estes incluem: com que frequência se deve monitorizar a pressão sanguínea em gatos de diferentes idades e estado de saúde; Quando é que a terapia anti-hipertensiva é justificada com base em diferentes leituras da pressão arterial sistólica e evidências de danos nos órgãos; E o que deve incluir uma investigação a gatos hipertensivos.

Espera-se assim que estas diretrizes incentivem uma monitorização mais generalizada da pressão arterial para aumentar a identificação precoce da doença e a sua prevenção. Entretanto, vá também medindo a sua.

Qualquer dúvida que tenha sobre o tema, não hesite em contactar-nos. Estamos aqui para o ajudar, basta ligar para o +351 21 3972 997, enviar e-mail para geral@veterinario.pt ou visitar-nos.

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