Cuidados a ter com os cães no inverno

Os animais, tal como os humanos, também se sentem incomodados com a chegada do Inverno e embora alguns estejam mais adaptados à nova estação outros sofrem com o frio “no pêlo”, frequentemente pela falta deste. Os animais que apresentam maior camada de gordura corporal e pêlo mais denso, como o São Bernardo, o Husky Siberiano e o Akita, são mais resistentes ficando menos vulneráveis ao desenvolvimento de doenças.

No hospital veterinário, é notável um aumento no número de consultas decorrentes da mudança de estação, com maior prevalência para determinadas patologias, nomeadamente:

  1. tosse do canil – trata-se de uma doença altamente contagiosa entre cães e semelhante à constipação nos humanos; é mais frequente nos meses frios e caracteriza-se por um quadro de tosse seca que evolui para tosse com expectoração, espirros, febre, falta de apetite e prostração, podendo ainda progredir para situações mais graves, nomeadamente a pneumonia; a transmissão é aérea e pode ocorrer à distância; a prevenção é feita com recurso à vacinação.
  2. problemas osteoarticulares (artroses, hérnias discais, artrites, displasia coxo-femoral) – o desconforto é acentuado com a diminuição da temperatura e aumento da humidade; manifesta-se frequentemente pela diminuição da disposição para brincar e interagir, prostração, claudicação, dificuldades em se deslocar ou mesmo em adoptar algumas posturas (ex.: levantar-se, sentar-se); As raças mais acometidas são o Pastor Alemão e o Labrador Retriver embora todos possam beneficiar de suplementos articulares (condroitina e glucosamina) e fisioterapia.

Existem, contudo, cuidados que podem ser adoptados pelos proprietários para ajudar a preservar o estado de saúde do seu melhor amigo e a prepará-lo para a chegada do inverno:

  1. vacinação – sobretudo se frequenta locais com outros cães, nomeadamente petshops, hotéis e exposições caninas.
  2. exposição ao frio e choques de temperatura devem ser evitados – limitar os passeios, particularmente se o cão tem pêlo curto ou idade avançada.
  3. alimentação
    1. aumentar em cerca de 20-30% a porção de alimento disponibilizada já que o gasto energético no Inverno é superior, tanto nos animais adultos como nos jovens; note que este aumento está apenas indicado para animais com boa condição corporal; animais com excesso de peso ou sedentários devem manter a quantidade de dieta habitual ou considerar uma dieta dirigida para o combate da obesidade.
    2. atentar para o consumo de água – no Inverno é frequente a diminuição da ingestão mantendo o risco de desidratação.
  4. higienização
    1. evitar a tosquia – manter o pêlo comprido torna o animal mais tolerante ao frio.
    2. evitar ou reduzir frequência dos banhos; se não for possível faça-o no horário mais quente do dia e com água morna; deve ser seco imediata e integralmente e não deve sair de casa no período seguinte para evitar o choque térmico.
    3. escovar diariamente o pêlo para reduzir a formação de nós que predispõem ao desenvolvimento de fungos na presença de humidade.
    4. roupa: sobretudo nos cães de pêlo curto; o uso de sapatos para evitar queimaduras provocadas pela neve e a tosquia do excesso de pêlo junto aos dedos e almofadinhas plantares para mais fácil limpeza e remoção da neve são também recomendados; Note que alguns cães não toleram usar roupa ou exibem alergia a alguns materiais manifestando prurido e eritema da pele; nestes, o seu uso é contraindicado.
  5. alojamento
    1. preferencialmente dentro de casa
      1. disponibilizar uma cama recorrendo a mantas e almofadas para a tornar confortável e quente; desta forma reduz o frio e minimiza o desconforto articular.
      2. atentar para as fontes de aquecimento – note que os aquecedores podem provocar queimaduras sérias por exposição ou contacto.
    2. se o animal ficar fora de casa deve mantê-lo num local abrigado (ex.: casota, garagem);
  6. passeios – atentar para:
    1. contacto com o gelo ou neve – responsáveis por queimaduras nas patas, orelhas e cauda do animal.
    2. ingestão de anticongelante – altamente palatável mas igualmente tóxico para os cães.
    3. sal das estradas – irrita as almofadinhas plantares, devendo por isso limpar bem as patas após o passeio.

Relativamente aos períodos festivos, nomeadamente o Natal, tenha em atenção que:

  1. não é uma altura ideal para introduzir um novo animal no ambiente familiar já que os animais recém-adquiridos exigem atenção e dedicação acrescidas e um ambiente estável muitas vezes não compatíveis com a ocasião;
  2. não permita que o seu cão tenha acesso à árvore de natal e outros ornamentos (luzes de natal, pequenos ornamentos) – pelo risco de ingestão, queimadura e toxicidade provocada pela ingestão das tintas que os compõem;
  3. atentar para a exposição de cabos eléctricos pelo risco de choque por mordedura;
  4. atentar para o acesso de plantas tóxicas, nomeadamente o azevinho;
  5. o álcool e chocolate são altamente tóxicos, mesmo em pequenas quantidades pelo que nunca devem ser fornecidos ao seu animal; mantenha os doces festivos fora do alcance do seu cão;
  6. ofereça prendas ao seu cão mas assegure-se que são seguras; presentes como pequenos brinquedos de plástico podem ser perigosos pelo risco de ingestão;
  7. reduza o stress do animal mantendo a sua rotina habitual;

Mesmo seguindo estas dicas à risca deve estar atento ao comportamento do seu animal e se notar algum sinal suspeito de doença nunca utilize a sua medicação para o tratar. Opte por contactar e seguir as recomendações fornecidas por um Médico Veterinário.

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